Dermatose papulosa nigra: o que são as pintinhas pretas no rosto e como tratar

Elas começam pequenas, uma ou duas pintinhas escuras na bochecha. Com os anos, aparecem mais, e ficam maiores. Se você tem pele negra ou parda e nota essas bolinhas pretas no rosto, é bem provável que seja dermatose papulosa nigra, uma condição comum e sem sintomas, mas que incomoda muita gente. Aqui você entende o que ela é, por que aumenta com a idade e quais tratamentos existem.

Resposta rápida: dermatose papulosa nigra são pintinhas pretas ou marrom-escuras, de 1 a 5 mm, lisas e firmes, que aparecem principalmente nas bochechas e na testa de pessoas de pele mais escura. Segundo a DermNet, elas são idênticas a pequenas queratoses seborreicas e não causam sintomas. O tratamento é só estético, feito pelo dermatologista com curetagem, crioterapia, eletrocoagulação ou laser, e pode deixar manchas.

O que é a dermatose papulosa nigra

A DermNet, referência de dermatologia da Nova Zelândia, descreve a dermatose papulosa nigra (DPN) como várias pápulas pequenas, de 1 a 5 mm de diâmetro, lisas, firmes, pretas ou marrom-escuras, no rosto e no pescoço. O texto é do dermatologista Mark Duffill e atualizado em maio de 2024.

As lesões aparecem principalmente nas bochechas e na testa, mas também podem surgir no pescoço, na parte de cima das costas e no peito. Elas não coçam e não doem. O incômodo é estético.

Quem tem dermatose papulosa nigra

Segundo a DermNet, a dermatose papulosa nigra afeta principalmente peles mais escuras (fototipos 4 a 6) e aparece em até 35% dos afro-americanos. Ela é mais comum em mulheres do que em homens.

Existe um componente familiar: de 40% a 50% das pessoas com DPN relatam outros casos na família, segundo a DermNet. Não foi possível confirmar dados de frequência específicos para a população brasileira com as fontes disponíveis.

Dermatose papulosa nigra: retrato de mulher negra madura

Por que a dermatose papulosa nigra aumenta com a idade

A DermNet explica que a dermatose papulosa nigra costuma começar na adolescência, e o número e o tamanho das lesões aumentam com o tempo. Por isso, com os anos, elas tendem a ficar mais visíveis: não é que apareceram de repente, é que foram se acumulando.

A causa não está totalmente esclarecida. A DermNet cita um possível defeito no desenvolvimento do folículo piloso. Uma revisão publicada na Skin Therapy Letter em outubro de 2020, assinada por Tran e Richer, aponta que a DPN tem semelhanças microscópicas com a queratose seborreica e mutações parecidas no gene FGFR3.

Dermatose papulosa nigra, queratose seborreica ou verruga?

Essa confusão é muito comum, porque as três são lesões benignas que aumentam com a idade. Veja as diferenças com base nas fontes:

  • Dermatose papulosa nigra: pintinhas pequenas (1 a 5 mm), escuras, no rosto de peles mais escuras. A DermNet diz que são idênticas a pequenas queratoses seborreicas.
  • Queratose seborreica: pode ter lesões maiores; a DermNet compara a DPN justamente às queratoses seborreicas pequenas. Explicamos tudo no guia de queratose seborreica.
  • Acrocórdon: pele pendurada, mole, comum no pescoço. Veja o post sobre verrugas no pescoço.
  • Milium: bolinhas brancas, não escuras. Leia sobre milium no rosto.

E se a mancha é plana, sem relevo, o assunto é outro: melasma, lentigo solar ou sardas.

Dermatose papulosa nigra é perigosa?

As fontes consultadas descrevem a dermatose papulosa nigra como lesão sem sintomas. A revisão da Skin Therapy Letter afirma que o tratamento não é medicamente necessário, e a DermNet diz que, em geral, o melhor é não tratar.

Mesmo assim, só o dermatologista confirma o diagnóstico. Qualquer pinta nova, que cresce rápido, muda de cor, coça ou sangra deve ser avaliada, porque nem toda lesão escura é DPN.

Tratamento dermatológico em consultório para pele negra

4 formas de tratar a dermatose papulosa nigra

Quem decide remover as lesões por questão estética tem estas opções, citadas pela DermNet e pela revisão da Skin Therapy Letter:

  1. Curetagem: raspagem da lesão com instrumento próprio.
  2. Crioterapia: congelamento com nitrogênio líquido.
  3. Eletrocoagulação: uso de corrente elétrica, às vezes junto com a curetagem.
  4. Laser: a revisão cita vários tipos, como o KTP de 532 nm e o Nd:YAG de 1.064 nm.

Todos são procedimentos de consultório. Não foi possível confirmar, com as fontes disponíveis, preços desses procedimentos no Brasil.

O risco que pouca gente conta: manchas depois do tratamento

Este é o ponto mais importante para quem tem pele escura. A DermNet alerta que tratamentos destrutivos podem causar aumento ou perda de pigmentação, cicatriz e queloide. A revisão da Skin Therapy Letter destaca o mesmo: a crioterapia pode clarear a pele, e todas as técnicas trazem risco de manchas escuras ou claras depois da inflamação.

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Por isso, a escolha da técnica e de quem faz o procedimento importa muito. A revisão também cita a proteção solar como medida para prevenir essas alterações. Se você vai tratar, reforce o protetor solar na quantidade certa. E se uma mancha escura aparecer depois, vale entender a diferença entre mancha pós-inflamatória e melasma.

Pomada ou receita caseira tira dermatose papulosa nigra?

Não foi possível confirmar, com as fontes disponíveis, nenhuma pomada, ácido ou receita caseira que remova a dermatose papulosa nigra. A revisão da Skin Therapy Letter não cita tratamento tópico comprovado para remover as lesões. Tentar arrancar, cortar ou queimar em casa pode machucar a pele e deixar marcas, justamente o risco que os especialistas apontam.

Erros comuns

  • Tentar tirar em casa: raspar, cortar ou usar produtos cáusticos pode deixar mancha e cicatriz.
  • Escolher qualquer clínica: em pele escura, o risco de mancha depois do procedimento é real, segundo a DermNet e a Skin Therapy Letter.
  • Achar que toda pinta escura é DPN: pinta que muda, sangra ou cresce rápido precisa de dermatologista.
  • Esquecer o protetor depois do procedimento: a revisão cita a proteção solar para prevenir alterações de cor.
  • Esperar que sumam sozinhas: segundo a DermNet, as lesões tendem a aumentar com o tempo.

Perguntas frequentes

O que causa a dermatose papulosa nigra?
A causa não está totalmente esclarecida. A DermNet cita um possível defeito no folículo piloso e um forte componente familiar: de 40% a 50% das pessoas relatam casos na família.

Dermatose papulosa nigra tem cura?
As lesões podem ser removidas no consultório, mas a DermNet explica que o número de lesões tende a aumentar com o tempo. Ou seja, novas pintinhas podem surgir depois.

Como acabar com a dermatose papulosa nigra?
Com curetagem, crioterapia, eletrocoagulação ou laser, sempre com dermatologista. Lembre que o tratamento é estético e pode deixar manchas.

Dermatose papulosa nigra vira câncer?
As fontes consultadas descrevem a DPN como lesão sem sintomas, com tratamento apenas estético. Não foi possível encontrar, nelas, relação com câncer. Ainda assim, lesão que muda deve ser examinada.

Quem tem pele clara pode ter?
Segundo a DermNet, a DPN afeta principalmente fototipos 4 a 6. Em pele clara, lesões parecidas podem ser queratoses seborreicas, que a própria DermNet compara à DPN. Quem diferencia é o dermatologista.

Existe pomada para dermatose papulosa nigra?
Não foi possível confirmar nenhuma pomada eficaz para remover as lesões com as fontes disponíveis.

Conclusão

A dermatose papulosa nigra é comum em peles mais escuras, não causa sintomas segundo as fontes consultadas e tende a aumentar com os anos. Tratar é escolha estética, não necessidade. Se for tratar, faça com dermatologista experiente em pele escura, porque a mancha depois do procedimento é o maior risco. E nada de tentar arrancar em casa.

E você: já tratou essas pintinhas ou prefere deixar como estão? Conta nos comentários.

Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um dermatologista.